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Rafael Messias Martins é doutorando no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e tem experiência com Visualização de Informação e Engenharia de Software, com ênfase em Visualização Multidimensional, Visualização de Software e Desenvolvimento de Software Livre e Aberto.

NAP-SoL: Sobre o que é sua pesquisa?

Rafael Messias: Minha pesquisa é sobre visualização de grandes conjunto de dados. Atualmente na nossa sociedade é gerada e armazenada uma imensidão de dados sobre todos os tipos de atividades humanas, desde textos, notícias e informações postadas na internet, por exemplo, até a atividade dos políticos no congresso ou mesmo informações sobre o tráfego, clima, etc. Todos esses dados, quando observados em seu estado original, são muito difíceis de serem analisados ou compreendidos, visto que muitas vezes são formados por milhões de registros, cada um com dezenas ou até centenas de atributos. Para que informações úteis sejam extraídas desses dados é necessário processá-los e transformá-los em representações que possam ser mais facilmente compreendidas pelos seres humanos. Nesse ponto é onde entra a visualização: utilizamos computação gráfica para, depois de processar os dados, exibí-los aos usuários de forma que seja possível encontrar padrões e definições estruturais, por exemplo, que não estavam claras anteriormente.

NAP-SoL: Qual a importância?

Rafael Messias: A compreensão de grandes conjuntos de dados é importante em praticamente qualquer área do conhecimento. Onde há dados, há o potencial para que a visualização seja útil. O objetivo final de uma visualização é sempre possibilitar ao usuário encontrar informações, padrões e estruturas que antes não estavam claras em seus dados. Os exemplos de aplicações são muitos: compreender a interação entre pessoas em redes sociais, compreender os resultados de experimentos científicos que geraram múltiplas observações, etc. E no caso do meu trabalho especificamente, compreender a qualidade do desenvolvimento de software livre.

NAP-SoL: Qual a relação com software livre?

Rafael Messias: Por definição, o código-fonte de um software livre está sempre aberto para leitura e modificação. Hoje temos uma grande comunidade internacional que desenvolve milhares de projetos de software livre ativamente todos os dias, gerando uma quantidade imensa de dados que estão disponíveis para análise. Esses dados representam não só o código-fonte em si que foi desenvolvido, mas também todo o registro da dinâmica entre os desenvolvedores, durante o processo de desenvolvimento, que levou até o resultado final. Processar e analisar esses dados pode ser muito valioso para compreendermos melhor como funciona exatamente o processo de desenvolvimento de um software livre de sucesso: como os desenvolvedores se relacionam durante o processo, quais padrões de desenvolvimento levam aos melhores resultados, quais não são tão efetivos, etc. A visualização não é a única forma de analisar esses dados, mas é uma das alternativas com bastante potencial para facilitar tanto a analistas quanto aos próprios desenvolvedores compreender melhor o seu processo.

Por: Natalí Silva

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