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Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre  participa do evento

 A importância da luz no cotidiano social, experimentos químicos e físicos, museus itinerantes e interativos, cinema e o contado com a ciência diária. É o que a população de São Carlos região pôde conhecer durante a 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorreu de 12 a 18 de julho sob o tema Luz, Ciência e Ação, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O evento recebeu 6378 inscrições, cerca de 10 mil visitas por dia, e os participantes aproximaram-se da ciência e tecnologia desenvolvida em todas as regiões do país, além de uma série de atividades realizadas como minicursos, mesas-redondas e encontros científicos e atividades voltadas para o jovem estudante.

O Brasil é responsável por apenas 2% da produção científica mundial e apesar de avanços nas últimas décadas, o país enfrenta desafios para a gestão na área e, por isso, importantes debates sobre os desafios da produção científica ocorreram, durante a semana, como o atual cenário de corte de verbas para a pesquisa, na pós-graduação e também para atividades de popularização como feiras e museus de ciência.

De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo, o país precisa recuperar a competividade através do apoio à pesquisa em desenvolvimento tecnológico e inovação na indústria, no setor de serviços, na agricultura e na mineração e tem o trabalho de ampliar o orçamento do ministério para 2016.

 “O ministério arcará com a verba comprometida e procurará fontes de recursos. Como exemplo, programas de relevância para o desenvolvimento sustentável do país como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) – que abrange todas as áreas do conhecimento espalhados por 126 institutos pelo país – não sofrerão prejuízos e continuarão sendo valorizados pelo governo”, afirma o ministro.

A produção científica tem se estruturado, cada vez mais, em redes de cooperação por pesquisadores e programas de fomento à pesquisa de diversas instituições que se organizam para a ampliação da ciência aplicada e da relação academia-indústria.

Conforme a presidente da SBPC, Helena Nader, “trabalhar em rede atualmente é fundamental e o evento proporciona isso. Seja na pesquisa ou na divulgação científica o pesquisador e o comunicador, ao se associar, conhecem as novidades de cada local, permitindo-lhes fazer uma ciência e divulgação mais efetiva e integrada”.

 

Popularização da ciência

Dados divulgados pelo MCTI em parceria com Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), através de uma pesquisa de percepção pública da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, durante a SBPC, apontam que 61% da população tem interesse em ciência e tecnologia, porém o acesso à informação ainda é pequeno, sendo insuficiente o número de matérias sobre ciência e tecnologia veiculadas na mídia.

Conforme o vice-presidente da SBPC e consultor do estudo Ildeu Moreira, a produção científica brasileira passa por um período de difícil atuação com os cortes direcionados para educação, ciência e tecnologia. “Isso compromete esses elementos que precisam de investimento continuado. O país possui uma dificuldade de produzir ciência comparado aos países desenvolvidos que é  histórica. Nossas universidades e instituições são recentes e temos grande parte da população sem  formação científica de qualidade”.

 “A educação científica na escola tem que ser melhorada. É preciso mudar o ensino de ciência na escola, fazê-lo interessante, mobilizador. É preciso estimular os jovens a investigar, entender o que é ciência e praticar ciência. Esse é o desafio”, complementa Moreira.

Para Nader o museu é o local que é possível interagir com a ciência. “É uma forma correta de ensino. É importante que além da criação de mais museus, seja realizada a digitalização de acervos para que a pessoa que não possa estar no local possa ter o acesso. Para ter uma educação de qualidade é preciso proporcionar o interesse do indivíduo pela ciência”.

Já para o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, a divulgação científica é importante para aumentar o número de novos talentos na ciência. “Há outros mecanismos como as olimpíadas, mas a divulgação científica é fundamental, pois é necessário divulgar nossas conquistas e isso não é bem realizado no Brasil. Os nossos heróis estão no presente e não somente no passado e ao ganharmos um prêmio importante, por exemplo, é preciso enfatizá-lo”.

Sessão de pôster  e ExpoTec

Foram 2.902 trabalhos apresentados de todas as áreas de pesquisa durante a semana e o Núcleo de Apoio á Pesquisa (NAP-SoL) sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos apresentou artigo na área de comunicação e popularização da ciência. De acordo com o coordenador do NAP-SoL, José Carlos Maldonado, a estruturação das atividades de comunicação e de divulgação científica nas redes de colaboração é uma atividade essencial para bem difundir os resultados obtidos nas diversas redes como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) e NAP.

“O artigo reflete a experiência no escopo do NAP-SoL, de certa forma em continuidade ao que foi desenvolvido no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC). Temos procurado e motivado o uso e o desenvolvimento de software livre de conteúdos abertos, entendendo esses elementos como facilitadores da divulgação científica, inovação e empreendedorismo”,  menciona o pesquisador.

A aluna de graduação de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) do estado de Mato Grosso do Sul, Lizandra Duarte da Silva , que viajou por 32 horas, fala sobre a importância, para o estudante, de participar da SBPC. “Tentei aproveitar o máximo, pois não é sempre que temos uma oportunidade como essa. Apresentei artigo e participei de conferências, o que contribui para a formação acadêmica, além de ter sido uma experiência muito rica também para o compartilhamento cultural e de aprendizado, conhecendo pessoas de diversos lugares”.

 Na feira ExpoTec tecnologias utilizadas e desenvolvidas em organizações como Embrapa, Exercito brasileiro e Marinha do Brasil foram expostas ao público para a aproximação entre a  produção científica e o público em geral.

O público também conferiu atividades na SBPC Jovem que apresentou ações educativas e de interação, na SBPC Indígena que reuniu lideranças indígenas, na SBPC Inovação que contou com conferências sobre empreendedorismo e o relacionamento entre universidade e empresa, A CBPC Cultural, reuniu diversas atrações musicais e no Dia da Família na Ciência que permitiu à população local e regional conhecer o ambiente da criação cientifica e tecnológica.

Para o visitante de Américo Brasilense, Wilson Ronaldo Correa, o Dia Da Família pôde mostrar a pesquisa produzida que muitas vezes é desconhecida pelo público. “O evento estimula a criança a ter o contato com a ciência em diversas áreas, como meu filho de sete anos que muito se interessou. É muito bom saber que, por exemplo, um aparelho para o tratamento de câncer de pele foi desenvolvido em São Carlos”.

A próxima reunião anual está prevista para ocorrer na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em Porto Seguro, com mais informações a serem divulgadas em breve.

 

Por Flávia Cayres da Assessoria de Comunicação do NAP-SoL

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