CCSL possui unidades em São Carlos e São Paulo para fortalecimento da área
A utilização de software livre para a produção de programas computacionais está cada vez mais presente na vida cotidiana e social. Computadores, eletrodomésticos e principalmente os atuais tablets e smartphones carregam, no interior do produto, programas que podem ser modificados e atualizados por seus usuários de forma livre (de uso, modificação e distribuição), permitindo o aprimoramento do software em uso e de forma colaborativa.
Com a intenção de intensificar os estudos, a pesquisa e o desenvolvimento em software livre, o Centro de Competência em Software Livre (CCSL) da USP foi criado com unidades no Instituto de Matemática e Estatística (IME) em São Paulo e no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) em São Carlos.
De acordo com diretor do CCSL-IME, Fabio Kon, o centro teve início como um portal web, em 2008, sendo coletados diversos projetos produzidos e concentrados em um ambiente virtual. “Após a disponibilização do espaço físico, em 2013, as atividades foram expandidas e atualmente conta com atividades de graduação, extensão e pós-graduação com temas relacionados ao desenvolvimento de software, à organização das comunidades, avaliação e qualidade de software livre”, afirma Kon.
Para que os alunos possam ter uma aproximação com o ambiente empresarial, foi elaborada, em 2001, a disciplina Laboratório de Aplicação Extrema que é oferecida atualmente no CCSL-IME. Conforme o professor do IME, Alfredo Goldman, "a disiplina possibilita a expansão da transferência tecnológica e aprendizagem".
Dentre os projetos em desenvolvimento do CCSL podem ser encontrados, como exemplo, a rede social Arquigrafia que tem o objetivo de promover a construção colaborativa de acervo digital de imagens da arquitetura brasileira. O programa Archimedes proporciona ferramentas básicas para elaborar um projeto técnico arquitetural através de uma plataforma para a produção de sistemas de desenho assistidos por computador.
O Memória Virtual, outro exemplo, é um sistema web para catalogação e disseminação de informações sobre acervos de patrimônio histórico, cultural e artístico. Há também o Sistema Web para o Museu da Fauna e Flora que é uma ferramenta livre para a disponibilização de informações catalogadas sobre fauna e flora, além de notícias sobre o museu, sendo esta uma aplicação do conceitual desenvolvido.
O uso do software livre permite, por exemplo, que o usuário adquira um software de baixo custo de alta qualidade, tenha acesso ao código fonte, sendo possível fazer sua alteração, conforme o desejado, além de colaborar para o compartilhamento de informações.
Para Kon, o software livre tem conquistado espaço no mercado. “O software livre está com as pessoas em seus telefones e na maioria dos servidores da web. Sua utilização como sistema operacional de desktop é minoritária, porém este tipo de computador tende a ser inutilizado”.
Para o diretor do CCSL-ICMC, José Carlos Maldonado, o conceitual e as práticas de software livre constituem um mecanismo estruturante nos diversos domínios de aplicação e áreas do conhecimento. “Isso facilita a estruturação de plataformas de desenvolvimento e de disseminação do conhecimento, além de facilitar as atividades de ensino, treinamento e de transferência tecnológica”, afirma.
Rede de Centros de Competência e pesquisa em Software Livre
O CCSL-USP integra a rede FLOSS Competence Center Network, criada pelo Quality Platform for Open Source Software (Qualipso), projeto financiado pela União Europeia para desenvolver tecnologias a fim de melhorar a qualidade dos programas de computador de código aberto. “O objetivo do Qualipso visou, entre outros resultados, o estabelecimento de centros de competência em software livre nos países membros”, explica Maldonado, coordenador nacional do projeto.
A rede FLOSS é promovida por pesquisadores de diferentes países com o objetivo de estabelecer a aproximação do software livre na sociedade e dialogar com a indústria de software. Cada centro atua em sua região local, tendo cooperação com a troca de experiência e conhecimento entre os demais integrantes. Atualmente a rede é integrada pela Alemanha, Brasil, Dinamarca, França, Índia, Irlanda, Itália, Japão, Noruega, Polônia, Eslovênia, África do Sul, Espanha, Suécia e EUA.
O CCSL conta também com o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAP-SoL), integrante do programa Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAP) da Pró-reitoria de Pesquisa da USP, e sediado no ICMC. O núcleo tem objetivo de intensificar a pesquisa em software livre, através de recursos e oferecimento à disponibilização da pesquisa científica produzida em software livre.
Para Maldonado, organizar e motivar atividades de pesquisa em software livre é uma atividade essencial para aprimorar os processos, os ambientes de desenvolvimento, os conceitos sociais e as atividades de formação de recursos humanos alinhados com as necessidades de demandas dos diversos domínios de aplicação e áreas do conhecimento. “Atualmente é fundamental a organização de redes de colaboração, inclusive envolvendo a indústria, na produção e evolução de soluções de domínio público, prática comum na produção de software livre”, afirma.
Para conhecer os demais projetos do CCSL acesse: www.ccsl.usp.br.
Para obter informações sobre o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre acesse: www.napsol.icmc.usp.br.
Por Flávia Cayres